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Apresentação

“o caminho se faz ao caminhar”

“somos aqueles por quem esperamos”

Daniel Munduruku

 

 

 

 

 

 

 

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFFluminense) campus Bom Jesus do Itabapoana realizará, no dia 25 de abril, o ABRIL INDÍGENA. 

Já faz alguns anos que em todo mês de abril assistimos pelo país a mobilização dos povos indígenas. O mês de abril têm se constituído como período para marcar ainda mais a luta e a articulação nacional do movimento indígena. Através de intenso movimento, debate, acampamentos, é articulado a definição de estratégias e de visibilidade às lutas e reivindicações indígenas. O grande fator de mobilização tem sido a questão das terras/territórios indígenas. Vivemos tempos de exceção, onde vemos acirrar as disputas em torno dessa principal causa indígena. Em pleno século XXI a grande maioria dos brasileiros ignora a imensa diversidade de povos indígenas que vivem no país. Estima-se que, na época da chegada dos europeus, fossem mais de 1.000 povos, somando entre 2 e 4 milhões de pessoas. Atualmente encontramos no território brasileiro cerca de 350 povos, falantes de mais de 217 línguas diferentes. Os povos indígenas somam, segundo o Censo IBGE 2010, 896.917 pessoas. Destes, 324.834 vivem em cidades e 572.083 em áreas rurais, o que corresponde aproximadamente a 0,47% da população total do país. A maior parte de nossos povos originários distribui-se por milhares de aldeias, situadas no interior de 700 Terras Indígenas, de norte a sul do território nacional. Nossos povos originários ainda resistem e lutam para terem suas terras demarcadas, suas tradições preservadas e reconhecidas. E são alvos de constantes e sangrentos atos violentos que continuam ceifando suas vidas e suas terras. 

A incorporação da temática indígena nos currículos oficiais de ensino, através da Lei 11.645/08, é fruto do engajamento intenso dos movimentos indígenas na política nacional. Esta conquista é também um meio para possibilitar o acesso de crianças, jovens e adultos brasileiros a conhecimentos e informações que contribuam para o reconhecimento da pluralidade cultural e o respeito às diferenças. Trilhando este caminho, de dar voz, visibilidade e reconhecimento à causa de nossas nações indígenas, o NEABI do Campus Bom Jesus convida toda comunidade a participar conosco do Abril Indígena.

Somando já a sua IV edição, com o intuito de valorizar a permanência, a resistência e a diversidade de nossos povos originários, este ano avançamos na estrutura do evento, pois garantimos o lugar de fala de lideranças indígenas visando aprendermos e nos conectarmos com seus profundos saberes. Temos muito a caminhar no que diz respeito à incorporação do conhecimento indígena em nossos currículos escolares. Como bem observa o educador e indígena Daniel Munduruku “há mundos possíveis de serem encontrados, educa-se para a compreensão do mundo, tal qual ele nos foi presenteado pelos espíritos ancestrais. Educa-se para viver essa verdade que, para nossa gente, é plena e nos mostra o caminho do bem-estar, da alegria, da liberdade e do sentido” (MUNDURUKU, 2012:71). Assim, pretendemos cada vez mais incorporar de vez a temática indígena em nossas escolas, não só no dia 19 abril, mas em todos os dias do ano, pois “todo dia é dia de Índio”, como bem diz a canção. Os nossos povos originários nos trazem mais do que nunca a urgente necessidade para pensar e desejar um Brasil realmente democrático em que diferentes formas de ser humano possam ser plenamente integradas. É o que assumimos como compromisso enquanto NEABI e idealizadores deste evento.

A programação do Abril Indígena contempla um rol amplo de atividades tais como palestras, mesas redondas, rodas de conversa, oficinas e exposição de Artes Indígenas. Destacamos também que teremos a Abertura da 1ª Mostra de Cinema Indígena, realizada pelo projeto Cineclube Debates em parceria com os NEABIs do IFF. Traremos diversas abordagens e diferentes temas referentes à História e Culturas Indígenas.

Contamos com vários parceiros para realizar este evento, sem eles nosso evento não seria possível. Um agradecimento especial a todas e todos os integrantes de movimentos indígenas e populares que tiraram um tempo na apertada agenda de abril para virem a nossa escola debater tão sensível e necessário contexto de luta. Agradecemos imensamente também o Museu do Índio, que nos brinda com a vinda de seu setor educativo e também com lideranças indígenas parceiras do Museu. O evento é uma iniciativa dos grupos que compõem os programas Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI), Centro de Memória (CM) Cineclube Debates, Café com Letras, Projeto Cestas de Produtos Agroecológicos Sabores e Sáude e Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITPC).